TJAC e Rede de Proteção à Mulher realizam palestra na Escola Estadual Henrique Dias

Foi a vez da escola pública no Calafate receber integrantes do Judiciário e da Rede de Proteção que conversaram com alunos e alunas, os sensibilizando para romper com ciclo da violência

Combater a violência doméstica também é educar, sensibilizar e conscientizar as pessoas, porque algumas vezes as vítimas não sabem que estão dentro de relacionamentos com práticas violentas que se enquadram nos tipos de crimes dessa natureza. Para disseminar esse conhecimento em benefício da preservação da vida das mulheres e da paz nos lares, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) está realizado diversas palestras com apoio da Rede de Proteção estadual nas escolas durante a 22ª Semana da Justiça pela Paz em Casa.

Nesta quarta-feira, 23, foi a vez da Escola Henrique Lima, no Bairro Calafate, receber a ação educativa e também a visita da coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comsiv), a desembargadora Eva Evangelista. A conversa foi conduzida pela integrante do Instituto de Mulheres da Amazônia (IMA), Daniela Carioca, pela servidora do Judiciário, a psicóloga Eunice Guerra e pelas autoridades policiais da Patrulha Maria da Penha.

Para a desembargadora Eva Evangelista é essencial levar informações para os jovens poderem identificar as formas de violência e, assim, romperem com a naturalização do machismo e preconceito de gênero. A decana da Corte de Justiça ainda ressaltou que as palestras estão sendo realizadas com apoio de outras órgãos e associações que compõem a Rede de Proteção estadual à mulher.

“Essa ação é importante para os jovens se aperceberem das diversas espécies de violência, alguns que podem nem ter conhecimento ou ter um conhecimento superficial e do qual eles muitas vezes incorporam como uma normalidade. E não há normalidade na violência. Essa violência que começa nos lares e se espalha pela sociedade. Essa é uma oportunidade excepcional, porque concebemos em uma reunião da Rede de Proteção a necessidade de não somente cuidarmos dos julgamentos dos processos, mas também essa conscientização”, comentou a magistrada.

A palestrante, Daniela Carioca, também discorreu sobre como a educação, a conscientização são ferramentas no combate a essa violência, agradecendo a oportunidade de conversar com as adolescentes e os adolescentes para que o Acre deixe ter tantos casos de violência doméstica e familiar.

“É com muita satisfação que o Instituto de Mulheres da Amazônia, o IMA, participa da Semana da Justiça pela Paz em Casa, com esse compromisso de trazer as novas gerações a necessidade de tratamos de temas pertinentes culturais que é a naturalização da violência contra a mulher. Então, quanto temos a oportunidade através do Tribunal de irmos as escolas partilhando com jovens, partilhando com mulheres, com homens os conceitos da violência, os tipos da violência e os ciclos da violência é uma grande satisfação. Que possamos entender que feminicídio precisa ser parado, o Estado do Acre precisa ser campeão da paz e não de feminicídio”.

O diretor da Escola, Atalibas Aragão, agradeceu a parceria com o Tribunal, lembrando que as ações de conscientização já foram realizadas há três anos na unidade de ensino e ressaltou a importância de sensibilizar alunos e alunas para que eles não cometam os mesmos crimes que podem estar vendo em casa.

“É essencial mostrarmos para nossos alunos a necessidade de tratarmos as pessoas de forma igual, seja ela homem, seja ela mulher. E aqui no Calafate nós temos muitos relatos de violência e essa iniciativa de conscientização é muito importante. Se não consegue resolver em casa, pelo menos, estimula que essa geração não cometa os mesmos crimes dos pais”, disse.

A aluna Kemilly França da Silva comentou que com as informações poderá se proteger melhor, caso se depare com relacionamentos abusivos no futuro. “É muito importante conscientizar meninos e as meninas também para terem mais a mente aberta sobre o relacionamento abusivo psicológico e patrimonial. A atividade me ajudou a ter consciência para identificar o relacionamento abusivo, porque a gente não sabe o que vai viver no futuro, ainda tenho 17 anos e ainda tenho muita vida pela frente”.

Emanuelly Falqueto | Comunicação TJAC