Ação de conscientização contra violência doméstica do TJAC visa transformar alunos e alunas em multiplicadores

Ação realizada na Escola Raimunda Silva Pará, na manhã da sexta-feira, 25, debateu temas como Lei Maria da Penha, estereótipos e preconceito de gênero, para que as alunas e alunos possam tornarem-se multiplicadores de uma cultura de paz

“Eu cresci vendo minha mãe ser violentada fisicamente e psicologicamente pelo meu pai, hoje eles são separados, mas eu cresci com isso. Hoje, sabendo o que é, eu sei identificar, mas eu sei também que muitas pessoas ainda não sabem, então acho muito importante ter essas palestras nas escolas, porque as mães, tias, ou alguém da nossa família está passando por isso e a gente não sabe. É super importante saber dos nossos direitos”. Esse é o depoimento de Maria Eduarda Davila e traduz com precisão a importância de ações pedagógicas nas escolas, realizadas pelo Tribunal de Justiça do Acre, em decorrência da 22ª Semana Justiça pela Paz em Casa. 

Nesta sexta-feira, 25, a Escola Raimunda Silva Pará, situada no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, foi contemplada com mais uma ação da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comsiv), com apoio e incentivo da desembargadora-presidente do TJAC, Waldirene Cordeiro e da Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud), aliadas a equipe multidisciplinar e parceiras da Rede de Proteção à Mulher. 

A ação integra a agenda de programação da Semana que também realizou a concentração de julgamentos e visitas institucionais de servidoras e servidores do Judiciário aos CRAS (Centros de Referência da Assistência Social). 

A desembargadora Eva Evangelista, coordenadora da Comsiv, participou do evento, conversou com as alunas e os alunos sobre os tipos de violência, o papel do Judiciário e a atuação da Comsiv. Para a magistrada, esses crimes não podem ser ignorados, pois abalam toda a estrutura social. 

“Nós não podemos tratar as mulheres como no Brasil Colônia, prendendo a mulher em casa, negando seus direitos, suas liberdades, sua vida. Nós estamos no século XXI. Esse é um assunto que não pode ser ignorado. Quem não conhece um caso de violência doméstica em suas casas, seus vizinhos? Por isso, peço que levem essa mensagem para suas famílias, amigos, vizinhos e juntos façamos uma sociedade melhor, que seja de paz para todos e, especialmente, todas”, comentou Evangelista.

“Não é mimimi”

Durante a atividade, conduzida pela advogada Tatiana Martins, presidente da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Acre (OAB/AC), com participações da desembargadora Eva Evangelista, da servidora Eunice Guerra e ainda de integrantes da Patrulha Maria da Penha, foram abordados temas como Lei Maria da Penha, ciclo da violência, estereótipos de gênero e a necessidade de rompermos paradigmas.

Afinal, como mencionou Martins: “Machismo e racismo não é mimimi. Eu gostaria de agradecer imensamente ao Tribunal de Justiça, essas ações são importantíssimas, esses 22 dias de ativismos são cruciais. E esse contato com as escolas é muito importante, porque conseguimos fazer um trabalho preventivo, de conscientização e observamos uma reciprocidade grande dos alunos, alunas, das professoras, dos professores, trazendo, assim, uma ação preventiva eficaz”.

 

Aprender e multiplicar

Sentadas nas últimas fileiras, as colegas de turma, Rafaela Chaves da Silva e Vitória Ketlyn, ambas de 16 anos de idade, comentaram que gostaram da palestra, principalmente da música, “Preta da Quebrada”, da cantora Flora Matos. A canção foi passada pela palestrante do evento.

O rap declama em versos o alerta de que nenhuma mulher deve ficar em relacionamentos abusivos e violentos, assim como, falou a estudante Samia Cristina após participar do evento: “Eu achei muito interessante, porque aborda temas dos quais a gente tem que se libertar hoje em dia na sociedade, como o preconceito, o machismo. A mulher também tem que conquistar seu espaço e ser respeitada e não agredida”. 

Há quatro anos na direção do Colégio, a professora Sannye Sayonara de Lima Pires enfatizou o quanto trazer esse tipo de atividade é essencial e combate a violência doméstica. “No ambiente escolar essas atividades são de fundamental importância, principalmente relacionada a prevenção, tudo está na prevenção. Em uma comunidade como essa na qual a nossa escola está inserida é importante que os alunos tenham contato com essa temática desde cedo e que eles possam sem multiplicadores”, ressaltou a diretora.

Emanuelly Falqueto e Elisson Nogueira | Comunicação TJAC

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