Programa Radioativo é apresentado a empresários em evento anual do Senai

O programa, realizado pelo TJAC e parceiros, é um instrumento de garantia dos princípios fundamentais da dignidade da pessoa humana e da cidadania


O Serviço Nacional de Aprendizagem (Senai) realizou o “Encontro de Aprendizagem 2021”, com os empresários acreanos nesta quinta-feira, dia 11, para o lançamento do seu edital destinado ao processo seletivo n° 10/2021,  dos cursos ofertados pela instituição. O certame é destinado à formação de jovens aprendizes, ou seja, candidatos contratados que estejam na faixa etária de 14 a 24 anos de idade.

Na oportunidade da atividade que faz parte da programação do evento anual Mundo Senai, o desembargador Francisco Djalma, a desembargadora Regina Ferrari, a juíza-auxiliar da presidência Andrea Brito e o promotor de Justiça Francisco Maia apresentaram o programa Radioativo, sensibilizando o público para contratação de jovens que estão em situação de vulnerabilidade.

“É preciso criar caminhos de resgate e mecanismo para engendrar uma juventude próspera. Quanto mais oportunidades são ofertadas a esse público, menos violência teremos na nossa sociedade”, apontou o presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Djalma.

Com efeito, a gerente de Educação Profissional do Senai, Geane Farias e o diretor regional do Senai, César Dotto reforçaram a proposta das ações formativas. “O objetivo é que as empresas e o público em geral conheça a nossa estrutura, o portfólio de cursos e a qualidade da nossa formação profissional, para que todos juntos possamos construir um fluxo virtuoso de oportunidades”, explicou Farias.

A juíza Andrea Brito, que também é titular da Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas de Rio Branco, afirmou que há marcadores sociais no sistema socioeducativo acreano. “Não temos pessoas de classe média e classes altas cumprindo medidas de internação e isso acontece porque esses jovens e adolescentes não têm as mesmas oportunidades”, enfatizou a magistrada.

O Acre possui uma das maiores taxas de aprisionamento do país, deste modo a juíza apontou que apesar dos números de pessoas na prisão estar aumentando a cada ano, não há redução da violência. Portanto, sendo necessário refletir sobre a necessidade de outras políticas públicas que tangenciem essa realidade.

“É pensando nisso que o programa Radioativo se consolida como uma alternativa para transformação da nossa sociedade. Dentro do sistema prisional e do sistema socioeducativo a transformação é muito menor, do que podemos fazer fora, porque o que transforma o ser humano é a educação, é a família, ter acesso ao emprego e não precisar buscar outros caminhos para ter o essencial para sobreviver”, enfatizou a magistrada.

A desembargadora Regina Ferrari, que também é coordenadora estadual da Proteção da Infância e Juventude, apontou que os adolescentes que estão acolhidos em abrigos, sob medida de proteção, são afastados da família, da escola, da profissionalização e, por consequência, da sociedade: “o trabalho permite o desenvolvimento da sociabilidade e de boas experiências, contribuindo para o processo de amadurecimento psicológico e intelectual, com respectivo aumento da autoestima e do sentimento de responsabilidade”, evidenciou.

Jovem Aprendiz

Uma das jovens aprendizes foi convidada a contar sua história de vida. Ela disse ter orgulho de ser aluna do curso de Eletricista Predial, por isso se apresentou com o capacete – que faz parte da sua rotina por ser um equipamento de proteção individual – e saia, já enfatizando que mesmo sendo mulher, ela teve acesso ao curso com que se identificou.

Quando ela tinha 13 anos de idade saiu da casa de sua mãe, por isso foi encaminhada pelo Conselho Tutelar para uma casa de acolhimento, onde passou a integrar o programa Radioativo. “Aqui não é só um curso, se eu não tivesse tido essa chance, talvez eu ainda estaria no abrigo e não teria enxergado o rumo da minha vida. Só aqui minha mente entendeu o que eu quero fazer e hoje sonho com minha faculdade, porque eu sei o que minha mãe lutou para me ter de novo em casa”, disse.

Aos empresários, a aluna foi deixou uma mensagem bem direta sobre se importarem com os adolescentes e acreditarem no programa: “é muito importante eu estar aqui, porque eu sinto que eu represento os outros alunos. Não abram mão desse programa, porque eu só estou aqui por causa de vocês”, completou o discurso.

A aprendizagem profissional e a inserção no mundo do trabalho apresentam impactos positivos no período em que todos os adolescentes possuem duas grandes tarefas: construir a sua identidade e construir o seu projeto de vida.

Ao fim, a vice-presidente da Fieac, Raimundinha Holanda abraçou a adolescente, comovida com as vitórias pessoais da aluna, que são também o símbolo da transformação genuína resultante da educação.

 

Miriane Teles | Comunicação TJAC