Medidas institucionais dentro dos cartórios são fortalecidas para combater violência patrimonial contra mulheres

Normatizações com orientações sobre fluxo de atendimento, para evitar que mulheres com medidas protetivas tenham contato com agressores dentro de cartórios são fortalecidas com o Provimento n.°222/2026 da Corregedoria Nacional de Justiça 

A violência doméstica tem várias formas, uma delas é a patrimonial descrita no artigo 7º, inciso IV, da Lei Maria Penha, como; qualquer conduta que retenha, subtraia, destrua objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores ou recursos econômicos da vítima. Para fortalecer o combate a esses crimes, medidas institucionais são executadas pelo Judiciário brasileiro e acreano. Exemplo disso é o Provimento n.°222/2026 da Corregedoria Nacional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dialoga com a Recomendação n.1/2025, da Corregedoria do Estado do Acre (Coger), para que cartórios extrajudiciais adotem ações de prevenção aos abusos e atos de violência patrimonial. 

Lançada em abril deste ano, a norma do CNJ detalha quais procedimentos e fluxos as serventias extrajudiciais do Brasil devem seguir para evitar e coibir a prática desse crime, que pode acontecer em atos jurídicos. Entre as ações elencadas no Provimento estão: evitar o contato direito da mulher com o agressor que tem medidas protetivas de urgências ou cautelares, assegurar a segurança da mulher, realizar o atendimento das mulheres em situação de vulnerabilidade sem exposição, respeitando o sigilo, evitando julgá-las e não revitimizar a mulher, além de utilizar linguagem simples e clara, para compreensão dos atos e processos que estão sendo realizados. 

São procedimentos de rotina de trabalho, que visam proteger as mulheres vítimas de violência doméstica. Nesse intuito, já no ano passado, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) lançou a campanha “Ela pode: ninguém pode impedir uma mulher de ser dona de si” e a Coger acreana emitiu a Recomendação n.°1/2025. Na ocasião, o desembargador-presidente do TJ, Laudivon Nogueira, discorreu sobre a necessidade de estabelecer instrumento interinstitucional para combater esses crimes. 

“A violência patrimonial é uma realidade invisibilizada, que pode passar despercebida pela própria vítima que às vezes não se dá conta que está sofrendo uma violência. Sabemos que a violência contra mulher não se restringe à agressão física. Muitas mulheres enfrentam outra forma cruel de repressão que é a violência patrimonial. Um controle abusivo sobre bens, rendimentos, heranças que a impede de gerir a sua própria vida financeira. Em muitos casos essa tática é utilizada para mantê-las presas em relacionamentos abusivos”, disse o presidente do TJAC. 

Enfrentamento conjunto

Até final de abril deste ano, mais de 400 mil novos processos de violência doméstica foram apresentados ao Judiciário no país e nesses quatro primeiros meses de 2026 mais 4.185 casos de feminicídios, entre atos consumados e tentados, aconteceram e estão tramitando na  Justiça. Os dados são do painel Justiça em Números do CNJ e revelam a necessidade de que a cultura de morte às mulheres seja enfrentada com políticas públicas e ações interinstitucionais. Por isso, a Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv) do TJAC, realiza um trabalho conjunto com outras instituições para proteção de meninas e mulheres. 

Projetos como Com-vida, que faz atendimento das vítimas, as encaminhando para serviços necessários, ou o Programa de Conscientização pela Paz no Lar levam ações educativas para estudantes de ensino médio, ou realização de campanhas, o fortalecimento da Rede de Proteção são algumas das ações feitas por meio da Cosiv. 

Mas, uma atuação que é destaque, é a formação de grupos reflexivos para autores de violência, que obriga os agressores a participarem de encontros onde discutem o machismo e reconhecem seus próprios comportamentos, para evitar a reincidência desses crimes. O primeiro grupo foi fundado em 2018, de lá para cá o Estado conta com oito grupos implementados, sendo: três na capital, um em Tarauacá, um em Feijó, um em Sena Madureira e dois em Cruzeiro do Sul. 

Para a juíza de Direito Louise Kristina, coordenadora da Cosiv e auxiliar da Presidência do TJAC, todo esse trabalho é necessário, para garantir o direito de viver em paz a mulheres e meninas. 

Fotos Acervo TJAC

Emanuelly Silva Falqueto | Comunicação TJAC