Com nova malharia, apenados começam a produzir uniformes na unidade penitenciária da Sena Madureira

Malharia inaugurada em Sena Madureira vai produzir uniformes para a unidade e oferecer qualificação profissional e remição de pena a pessoas privadas de liberdade

“Espero que, por meio desse curso, as portas se abram. Que eu possa desenvolver uma profissão e levar minha vida adiante”. A expectativa é de um dos dois apenados que começaram a trabalhar na malharia inaugurada nesta quarta-feira, 4, na Unidade Penitenciária Evaristo de Moraes, em Sena Madureira. Há nove anos cumprindo pena, ele vê na oportunidade de aprender a costurar a possibilidade de construir um futuro diferente e conquistar espaço no mercado de trabalho.

Para eles, a oficina representa mais do que aprender uma atividade profissional. É também uma oportunidade de romper barreiras e mostrar que a costura pode abrir caminhos independentemente de quem a executa. Segundo ele, no município, a profissão ainda é pouco explorada por homens, onde há poucas opções de alfaiataria.

 

 

“Podemos mostrar que, por meio de um projeto criado dentro do presídio, é possível ter uma profissão e se socializar. A oficina abre espaço para que o aprendizado se transforme em profissão. A expectativa agora é que o conhecimento adquirido possa me acompanhar para quando chegar o momento de retomar a vida fora daqui”, afirmou.

A malharia foi implantada com recursos provenientes de penas pecuniárias, destinados pela Vara Criminal de Sena Madureira. O projeto, denominado Confecção de Vestimenta, recebeu R$ 10 mil, utilizados na aquisição de duas máquinas de costura e no pagamento da profissional responsável por ensinar os cumpridores de pena.

Inicialmente, dois custodiados foram selecionados para atuar na oficina e já passaram por treinamento com uma costureira profissional. A produção será destinada à confecção de camisas e bermudas que compõem o uniforme dos internos da própria unidade penitenciária, que atualmente abriga 444 pessoas privadas de liberdade.

 

 

De acordo com o diretor da unidade, Emanuel Dantas, a seleção dos participantes considerou critérios como o bom comportamento e a avaliação do perfil dos apenados. Os dois escolhidos são do chamado bloco neutro, sem vínculo com organizações criminosas. Eles trabalham entre sete e oito horas por dia e, conforme as regras da remição de pena, a cada três dias de trabalho têm direito à redução de um dia da pena.

“A proposta é ampliar gradualmente a produção e, futuramente, alcançar outros participantes. Além de oferecer uma atividade laboral, a iniciativa busca proporcionar qualificação profissional e desenvolver habilidades que possam ser aproveitadas após o cumprimento da pena”, disse.

 

 

Plano Pena Justa

A implantação da malharia está alinhada ao Eixo 3 do Plano Pena Justa do Estado do Acre, voltado à Reintegração Social, com ações nas áreas de trabalho, educação e geração de renda. A estratégia prevê a ampliação de oficinas produtivas nos estabelecimentos penais, a qualificação profissional e a criação de oportunidades para pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional.

O supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), desembargador Francisco Djalma, destacou que iniciativas como essa fortalecem as metas do Plano Pena Justa ao ampliar o acesso ao trabalho e à qualificação profissional.

Segundo ele, as oficinas permitem desenvolver habilidades e preparar os custodiados para oportunidades de emprego após o cumprimento da pena.

 

 

O magistrado acrescentou que outras ações integram o Eixo 3 no Acre, como a ampliação das frentes de trabalho nas unidades prisionais, o projeto Sandálias da Esperança, o Emprega Lab e a articulação com empresas e instituições parceiras para ampliar as oportunidades de trabalho e qualificação.

“O trabalho também contribui para a autonomia financeira e a construção de novas perspectivas de vida, oferecendo alternativas para romper o ciclo da criminalidade”, disse.

A inauguração contou com a participação de representantes do GMF/TJAC e do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen/AC), entre eles o diretor de Reintegração Social do Instituto, André Vinício, que também destacou a importância da preparação profissional e da criação de oportunidades para que pessoas privadas de liberdade possam retomar a vida em sociedade.

Fotos: Ana Paula Batalha/TJAC

Ana Paula Batalha | Comunicação TJAC

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