“Magistrado Gestor: Justiça para julgar. Técnica para gerir” é uma iniciativa com o intuito de desenvolver competências e visão estratégica no Judiciário acreano
O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) inaugurou uma nova fase de aprimoramento institucional com capacitações oferecidas a magistradas e magistrados na área de liderança administrativa. O Projeto Magistrado Gestor teve início nesta terça-feira, 3, na Escola do Poder Judiciário (Esjud).
Na abertura, o secretário-geral do TJAC, Júnior Martins, explicou que a iniciativa nasceu da necessidade desta gestão de dialogar em nível tático, estratégico e operacional com todo o Poder Judiciário. “Não é sobre ensinar juízes a serem juízes”, explicitou. A proposta da Presidência, em parceria com a empresa de consultoria j.Ex, foi oferecer uma programação voltada a uma mudança cultural, e esse foi o spoiler sobre o que é esperado como resultado da formação.
Tecendo reflexões sobre o papel da magistratura, o presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, falou sobre comandos deônticos, ou seja, fez referência à lógica operacional da filosofia do direito em que o comportamento humano é regulado pela ordem, obrigação, permissão ou proibição. “É preciso estar atento ao papel de líder. Acredito que a grande definição desse momento é o despertar. Assim, todos vamos ganhar, vocês ganham com o desenvolvimento de competências. A instituição ganha com gestores mais capacitados e equipes mais integradas. A sociedade ganha, porque ela é a destinatária de todo nosso esforço”, sintetizou.


O consultor da j.Ex Carlos Arimatéa introduziu os conceitos sobre a visão de liderança e a importância dos ajustes de processos. “Cultura é tudo aquilo que a gente reforça todos os dias”, enfatizou.
A palestrante Ana Carnaúba definiu que simplificar é uma inovação necessária. Apresentou a compreensão sobre inteligências conectadas, vieses cognitivos e a presença ambígua. Um momento curioso foi quando ela projetou a foto da seleção brasileira de 2006. Na Copa da Alemanha, o time brasileiro tinha Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Kaká e Adriano Imperador. Parreira tinha ainda outros grandes nomes no elenco, como Cafu, Dida e Roberto Carlos, mas mesmo assim o Brasil foi eliminado. A partir desse enredo que todos ainda tinham na memória, ilustrou que talentos individuais não garantem a vitória.
A programação continuou com o palestrante Ademir Piccoli, que direcionou o diálogo para a área de tecnologia. Desse modo, ele construiu compreensões sobre “o humano ampliado”, a convergência humano-máquina e como a inteligência artificial pode ampliar a entrega de valor para as pessoas. Após exibir cenas dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, realizados neste ano em Pequim, concluiu com a citação do empresário Peter Diamandis: “O futuro precisa de protagonistas”.




Por fim, o comunicador Gabriel Costa fez uma palestra de coaching às avessas: ao mesmo tempo em que incentivava a subir de nível, usava a sinceridade para escancarar fragilidades que precisavam ser enxergadas. Ele criticou as filosofias de autoajuda e o que denominou “indústria do alívio” e “flow da satisfação”.
Justamente, encerrando a romantização pregada nas redes sociais sobre a narrativa do esforço, ele perguntou: “Primeiro você planta. Depois?” O óbvio seria responder “colhe”, mas ele respondeu: “Depois você rega”, deixando a mensagem sobre perseverar em fases em que não há reconhecimento, apenas trabalho.





Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC