Concretização desse desejo ocorreu na quarta-feira, 23, na quadra poliesportiva da Escola Professor Messias Rodrigues de Souza, em Sena Madureira, no encerramento da programação do Projeto Cidadão no município. Quase 100 casais oficializaram a união
A noiva Nelita Freitas, de 25 anos, realizou um sonho um tanto diferente: casar de vestido branco, chapéu de boiadeira e botina. A concretização desse desejo ocorreu no início da noite desta quarta-feira, 23, durante o casamento coletivo promovido pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC).

A cerimônia ocorreu na quadra poliesportiva da Escola Professor Messias Rodrigues de Souza, em Sena Madureira, e encerrou a programação do Projeto Cidadão no município. Ao todo, quase 100 casais oficializaram a união, de forma gratuita.
O Judiciário acreano custeou todas as etapas do casamento, desde a habilitação até a cerimônia. A gratuidade possibilita que os casais obtenham o documento que oficializa, perante a lei, suas uniões. A maioria está junta há anos, alguns há décadas.
Casamento à la country
Nelita contou que tinha esse desejo desde jovem. Segundo ela, a vestimenta sertaneja representa sua história e a da região onde mora. Disse que sempre viveu na roça e queria homenagear essa trajetória no casamento. Por sorte, encontrou Wendell Oliveira, de 24 anos, produtor rural, que compartilhava o mesmo sonho.


Embora o casal seja apaixonado pela zona rural, os dois se conheceram em um retiro da igreja, há dois anos. Desde então, não se separaram mais. A relação deu frutos. Hoje eles são pais de um bebê. Faltava apenas oficializar a união. Wendell explicou que ambos pensavam em se casar havia algum tempo, mas não tinham condições de arcar com todos os custos.
Foi quando descobriram que haveria o casamento coletivo na cidade. Não pestanejaram. Buscaram saber quais eram os documentos necessários para participar.“Esse projeto é de suma importância, porque tem gente, como eu falei, a gente não tinha renda. Pra muitas pessoas eu acho que foi importante. Que possa ter muito mais”, declarou Nelita.
Finalmente, marido e mulher
Marciane Soares, de 44 anos, não imaginava que um flerte nas redes sociais se tornaria o grande amor de sua vida. Quando conheceu Renato Sousa, de 42 anos, achou ele um tanto insistente. Diariamente, enviava mensagens como “bom dia” ou “dormiu bem?”. A professora admite que, com o tempo, a atenção demonstrada a conquistou. A estratégia do autônomo deu certo. Eles estão juntos há nove anos e, há pelo menos três, planejam se casar.
Questionados sobre a decisão de participar do casamento coletivo, a resposta novamente envolveu uma rede social. “Foi por acaso no TikTok [que descobrimos]. Aí na semana que começou [as inscrições para o casamento] ele tava trabalhando. Por lá, machucou o dedo”, contou Marciane. Ela entendeu o episódio como um sinal: “Eu disse ‘acho que é pra gente realmente levar os papéis e darmos entrada [nos papéis do casório]’”.
Marciane está ansiosa para deixar de assinar como divorciada e passar a declarar seu real estado civil, após nove anos de relacionamento: casada. É como se fosse assim um momento de realizar todos os planos que nós já fizemos até agora”, afirmou. Com a oficialização, eles poderão se apresentar à sociedade na condição de marido e mulher.

A coroação da união
O celebrante da cerimônia, juiz da Vara Cível de Sena Madureira, Caique Cirano, destacou o significado do casamento: “É a coroação de um símbolo, de uma união, um momento de alegria. Coroa esse serviço público tão essencial, tão precioso e valioso pra nossa sociedade”.
Em seu discurso, o magistrado se demonstrou um entusiasta do Projeto Cidadão. “Um verdadeiro patrimônio da sociedade acreana”, atestou. Ele ressaltou ainda que o casamento coletivo retrata bem o propósito da ação social do TJAC ao reunir instituições em benefício das cidadãs e dos cidadãos.
Sem delongas, o juiz iniciou a cerimônia. Primeiro, chamou o casal mais maduro, leu os votos e celebrou a união. Em seguida, repetiu o rito com os noivos mais jovens e, depois, com os demais casais. Na sequência, os recém-casados trocaram as alianças e selaram o momento com o beijo.


Participação
Participaram da cerimônia o juiz da Vara Criminal de Sena Madureira, Eder Viegas; a promotora de Justiça Rejane Mara; o delegatário de Sena Madureira, Leandro Brandão; além de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), bem como familiares e amigos dos casais.











Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC