Estudantes de História produzem documentário sobre o Palácio da Justiça

Filme revisita a história da primeira sede do Tribunal de Justiça do Acre e sua importância para a memória do povo acreano

Um patrimônio da história do Acre no Centro de Rio Branco. Espaço onde milhares de decisões judiciais foram tomadas. A primeira sede do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC). Esse é o tema central do documentário dos estudantes do sexto período do curso de bacharelado em História, Manoela Brandolim e João Batista. A obra foi lançada nesta quarta-feira, 25, na mostra Acre em Cena.

O filme retrata a história do Palácio da Justiça desde a construção, no final dos anos 1950, quando o Acre ainda era Território Federal. Também aborda o período em que o espaço passou a sediar o Poder Judiciário estadual, instalado em 1963 com a elevação do Acre à categoria de Estado, até o tombamento do prédio como patrimônio histórico e cultural, no ano de 2002.

Construído em estilo neoclássico, o edifício transmite solidez, ordem e imparcialidade. A proposta, quando foi erguido, era reforçar a autoridade da Justiça. O prédio é um dos poucos exemplares desse tipo de arquitetura no estado, ao lado do Palácio Rio Branco.

Hoje, o espaço funciona como centro cultural, com um vasto acervo composto por documentos e decisões históricas, togas e artefatos. O prédio também possui obras de marchetaria, técnica de incrustação de madeiras. A mais conhecida está exposta no auditório e é assinada pelo artista plástico Maqueson Pereira.

“É um pedaço da história acreana”

A estudante de História e produtora do documentário, Manoela Brandolim, explicou como surgiu a ideia do filme. “Tudo começou com a nossa disciplina sobre Patrimônio, do professor João Pacheco. Ele criou o projeto para fazermos um minidocumentário. Meu colega, com quem faço dupla, João Batista, achou interessante o Palácio da Justiça e eu também gostei”, disse.

Ela também relatou as descobertas durante a produção do documentário. “Eu posso dizer que são muitas. É um pedaço da história acreana. Surge quando o Acre ainda não era um Estado. Todo o Judiciário acreano começa a partir dele, algo que eu acredito que muitas pessoas não sabem”.

Segundo a aluna, o material histórico, como fotos e documentos disponíveis no próprio Palácio e na página de memória do TJAC, foi fundamental para o sucesso da produção. Assim como a coordenação do professor doutor João Pacheco e o apoio de amigos e familiares. “Foi um lindo trabalho em conjunto. Só conseguimos alcançar esse resultado com a ajuda de todos os envolvidos”, afirmou.

Para o coprodutor do filme, João Batista, a conclusão do documentário representa superação, por ele ser autista, e aprendizado por permitir a experiência prática com o ambiente histórico. “Aprendemos que foi ali que tudo começou no Judiciário acreano, naquele espaço no centro da cidade, que inicialmente abrigou não só o Tribunal de Justiça, mas o MP e outros órgãos ligados às questões judiciais”, declarou.

Mostra de minidocumentários

A iniciativa foi idealizada pelo coordenador do curso de bacharelado em História e professor da disciplina Patrimônio Histórico-Cultural, João Pacheco, com apoio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

De acordo com o professor, a proposta dos filmes foi promover ensino, pesquisa e extensão, que formam o tripé da universidade pública, junto à comunidade. Relatou que os estudantes demonstraram disposição e curiosidade durante o processo de produção do filme, que durou quatro meses.

Sobre o documentário produzido por Manoela e João sobre o Palácio da Justiça, ele afirmou que o trabalho apresenta uma rica cronologia da história desse patrimônio acreano, repleto de memória e significado para a população. O filme em breve estará disponível no canal do Iphan no YouTube.

Fotos: acervo TJAC e cedidas

William Klismann Liberato Azevedo | Comunicação TJAC