Capacitação reuniu profissionais de diferentes áreas da rede de atendimento e fortaleceu estratégias de enfrentamento à violência doméstica e familiar
O Núcleo de Justiça Restaurativa (Nujures) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) promoveu, nos dias 28, 29 e 30 de setembro, no município de Xapuri, uma formação voltada à capacitação de profissionais para atuação em Grupos Reflexivos para Autores de Violência Doméstica e Familiar.
A iniciativa reuniu profissionais de diferentes áreas que integram a rede de atendimento e garantia de direitos do município, entre eles representantes da Secretaria Municipal da Mulher (Semulher), Secretaria Municipal de Assistência Social, Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Polícia Militar, Secretaria Municipal de Educação e Centro de Atenção Psicossocial (Caps), além de profissionais de outras instituições.
A formação foi conduzida pela a assistente social, Acássia Munira e pelo pedagogo Fredson Pinheiro, ambos servidores do TJAC, que compartilharam conhecimentos e experiências relacionados à condução de grupos reflexivos e às práticas de responsabilização de homens autores de violência.



A capacitação teve como objetivo preparar os participantes para o planejamento, a coordenação, a mediação e a avaliação de grupos reflexivos, contribuindo para a qualificação das ações desenvolvidas pela rede local de atendimento e enfrentamento à violência doméstica e familiar. O curso foi promovido pela Escola do Poder Judiciário do Estado do Acre (Esjud), a partir de demanda do Nujures.
Conhecimento e prática
Ao longo dos três dias, os participantes tiveram contato com conteúdos relacionados a relações de gênero, masculinidades, ciclo da violência, responsabilização, metodologia dos grupos reflexivos, postura do facilitador, Comunicação Não Violenta (CNV), autorregulação emocional, manejo de conflitos, situações de crise e avaliação de risco.
A metodologia combinou momentos de exposição dialogada com dinâmicas vivenciais, estudos de casos, oficinas, recursos sociodramáticos e simulações práticas, possibilitando aos participantes vivenciar situações que podem surgir durante a condução dos grupos. Também foram realizadas atividades de cofacilitação, role-playing, debriefing e feedback estruturado.
Um dos principais temas trabalhados foi a diferença entre punição e responsabilização. A proposta dos grupos reflexivos é possibilitar um espaço estruturado de diálogo e reflexão, no qual os participantes possam reconhecer comportamentos, refletir sobre suas escolhas e desenvolver formas não violentas de lidar com conflitos e relacionamentos.
Fortalecimento da rede
A presença de profissionais de diferentes setores foi um dos destaques da formação. A participação conjunta de representantes da Justiça, assistência social, segurança pública, saúde, educação e políticas para as mulheres reforça a importância do trabalho integrado para o enfrentamento da violência doméstica e familiar.
Durante a capacitação, também foram abordadas estratégias para o manejo de situações de resistência, vitimização e comportamentos desafiadores, além da identificação de sinais de risco e da articulação com a Rede de Atendimento à Mulher e o Sistema de Justiça.
A iniciativa está alinhada às diretrizes da Lei Maria da Penha (n.º 11.340/2006), da Lei nº 13.984/2020 e às diretrizes nacionais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que reconhecem a importância de ações voltadas à responsabilização e à reflexão com autores de violência doméstica e familiar.