Material publicado pelo TJAC é uma coletânea de redações produzidas pelos estudantes participantes do programa Conscientização pela Paz no Lar
Como parte das ações de enfrentamento à violência doméstica e familiar, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) lançou nesta semana a publicação Vozes que Transformam. O material é uma coletânea de redações produzidas pelos participantes do programa Conscientização pela Paz no Lar.
A ação educativa levou palestras a 16 escolas, mobilizando 2.100 alunas e alunos nos municípios de Rio Branco, Xapuri, Cruzeiro do Sul, Porto Acre, Mâncio Lima, Manoel Urbano, Tarauacá, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa do Purus. Incluindo unidades urbanas, rurais e indígenas.
A partir do aprendizado, o concurso de redação propôs o seguinte tema: “A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e os direitos das mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, bem como outras formas de violência contra a mulher”. Deste modo, as primeiras colocações de cada escola tiveram sua obra publicada.

Odisney Júnior, estudante do 1º ano da Escola Estadual Professora Raimunda Silva Pará de Rio Branco, refletiu sobre o ciclo de violência: “Em primeiro lugar, é importante destacar que o machismo, ainda presente em grande parte da sociedade, naturaliza comportamentos abusivos dentro do ambiente familiar”. “Naturalizar” significa fazer com que algo que é errado ou violento pareça normal ou comum. Esse fenômeno cultural altera os limites dos comportamentos e relacionamentos, provocando uma sequência de silenciamentos: o da vítima e também das pessoas ao redor, que passam a adotar a tendência de não intervir, justamente por compreenderem que se trata de algo corriqueiro.
Já Clara Aguiar, da Escola Estadual Djalma da Cunha Batista de Tarauacá enfatizou: “Tudo começa com um homem querendo imposição em tudo”. Nesse trecho, a aluna expressa seu sentimento de indignação ao falar sobre a dominação. Portanto, em cada texto é possível perceber diferentes óticas sobre uma temática presente e urgente.




O título Vozes que Transformam carrega o simbolismo sobre o poder de “dar voz”, ou seja, ser um espaço de protagonismo, expressão e representatividade. Unido a ação de transformar, que sugere a possibilidade de mudança da cultura atual. O machismo e a cultura patriarcal contribuem para a perpetuação de ciclos de violência. Além das várias violências – física, moral, psicológica e sexual – as mulheres são assassinadas. O Brasil vive um novo record de feminicídios.
Essa iniciativa integra a programação da 32ª Semana Justiça pela Paz em Casa, campanha nacional que busca dar celeridade a processos de violência doméstica e promover ações educativas. A cartilha é um produto da Coordenadoria das Mulheres em Situação Doméstica e Familiar e Secretaria de Comunicação do TJAC.
