Partilha do conhecimento para aperfeiçoar os serviços jurisdicionais

Dia 15 de outubro é comemorado o Dia dos Professores e o Judiciário do Acre reconhece a importância desse profissional, homenageando os formadores da Escola do Judiciário do Acre (Esjud)

“Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”, escreveu o filosofo e patrono da Educação brasileira, Paulo Freire. Em busca dessa transformação para aperfeiçoar os serviços judiciais prestados à sociedade, a Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud) trabalha arduamente e como 15 de outubro, foi o dia dedicado aos professores e professoras, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) ressalta a importância da educação para o desenvolvimento de todos, além de agradecer e homenagear todos os facilitadores, mediadores, formadores, professores que atuaram e atuam no aperfeiçoamento do corpo técnico da Justiça estadual.

O reconhecimento, valorização da área e desses profissionais pela Justiça acreana é traduzido no serviço prestado pela Escola do Poder Judiciário (Esjud). Há 34 anos, em março de 1987, foi criada a primeira escola judicial, a Escola Superior da Magistratura do Acre (Esmac), com natureza associativa. No percurso, até inaugurar sua sede dentro do centro administrativo do Judiciário em 2011, ou a modernização, com a instituição da Esjud no formato atual, em janeiro de 2013, o Órgão dedicou-se a capacitação profissional de magistrados, servidores e oferta cursos a comunidade jurídica.

Hoje, a Esjud conta com 76 profissionais cadastrados para colaborarem com as necessidades formativas solicitadas pelos integrantes da Justiça. Um desses é o analista judiciário, Odson Lopes Moreira, de 47 anos, lotado na Gerência de Planejamento e Execução do Ensino (GEPEE). O servidor tem 10 anos de Judiciário e, apesar de revelar que sala de aula não era seu objetivo inicial, está envolvido com o aprender e ensinar cotidianamente.

O analista começou na carreira por necessidade, dando aulas de reforço para colegas no seminário da igreja Batista, quando fazia sua primeira faculdade, Teologia, em troca de lanches e almoços. Odson também é formado em Letras com dupla habilitação, Português e Línguas Germânicas, além de ser bacharel em Direito. Ele comentou que em hebraico o verbo usado para ensinar e aprender é o mesmo, por isso, o servidor expõe que educar é via de mão dupla.

“Eu não escolhi ser professor, foi o ofício, o magistério, a profissão que me escolheu. É um rio em cuja as margens eu escorreguei e acabei caindo no curso desse rio e essa coisa foi me levando. Em nenhum momento eu quis ser professor, pelo contrário eu relutei contra isso, porque é uma profissão muito estressante, sem reconhecimento, isso em termos financeiros. Mas, tem o seu brilho, tem o seu destaque. Professor é um portador de luz, é um ajudador, facilitador”, relata Odson Moreira.

Parceira dos servidores

Contribuindo com cursos na Escola do Poder Judiciário há muito tempo, mas designado para o a unidade em fevereiro de 2019, o servidor afirma: “eu me sinto muito feliz por trabalhar aqui e atuar como formador na Esjud”. Odson explicou que a Escola judiciária é uma aliada dos servidores e servidoras no crescimento profissional.

“Há muita gente boa envolvida nessa formação técnica-profissionalizante. A Esjud cresceu muito, antes de vir para cá a Escola já estava se desenvolvendo plenamente. Então, no dia do professor, enalteço o trabalho do professor e da instituição. A instituição é uma escola técnica para melhorar o desempenho das atividades nos diversos setores da Justiça, é parceira dos servidores no seu aperfeiçoamento. A Esjud é um lugar de aprender, lugar de ensinar”, disse o analista.

Os dados demonstram o envolvimento e preocupação da Escola do Poder Judiciário com seu público-alvo e, consequentemente, a melhoria do atendimento dos cidadãos e cidadãs. Nesse ano de 2021, estão elencadas 58 ações educacionais, com média de 1.080 horas e 5.060 vagas ofertadas. Somadas a isso, em 26 de julho de 2019, a Esjud foi credenciada junto a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) e agora conta com 15 cursos que podem ser lecionados em outra instituição jurídica fora do estado. Inclusive, o Tribunal Pleno e a Enfam habilitaram a Escola da Justiça acreana na formação de mediadores e conciliadores.

Reinvenção

Mas, a profissão e as entidades da área enfrentaram um desafio, tiveram que se reinventar com a pandemia do COVID-19. Mesmo com Ensino à Distância (EaD) regulamentado na Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDB), com as salas de videoaulas equipadas em algumas escolas, diversos profissionais da educação passaram a dedicar mais horas ao estudo, preparação, aprenderam a lidar com aplicativos e mecanismos de videoconferência para manter conexão com seus alunos. Na Esjud não foi diferente, o Órgão de ensino do Judiciário migrou todas as suas atividades para o ambiente virtual, quando foi necessário.

De acordo com Odson, na Escola do Judiciário podem acontecer vários cursos síncronos simultaneamente, aqueles nos quais os encontros formativos são realizados em tempo real com professores e estudantes presentes em salas virtuais. A Esjud utiliza o Ambiente Virtual de Aprendizado (AVA) e o Google Meet. Além disso, também ocorrem os programas autoinstrucionais assíncronos. No início de 2021, a Escola da Justiça estadual disponibilizou 222 horas/aulas, dividas em 13 cursos nessa modalidade, que é quando o aluno realiza seu programa conforme seu horário.

Salários baixos, falta de estrutura básica como papel higiênico, são exemplos tristes do cotidiano vivido por muitos professores no Brasil. Mas, ainda assim, mesmo com falta de políticas públicas, esses profissionais empenham-se, viram noites em claro corrigindo, preparando aulas, buscando ferramentas para ministrarem aulas dinâmicas e conseguirem captar a atenção dos alunos. Diante desse cenário, que envolve uma série de dificuldades, mas muita vocação, dedicação e paixão pelo ofício, o TJAC usa as palavras do físico Albert Einstein para homenagear todos esses profissionais, “educar verdadeiramente não é ensinar fatos novos ou enumerar fórmulas prontas, mas sim preparar a mente para pensar”.

Emanuelly Silva Falqueto | Comunicação TJAC