“O Acre não foi dado, foi ganho”, afirma decano do TJAC em celebração dos 64 anos do Estado

Durante a solenidade, o desembargador Samoel Evangelista destacou a trajetória de luta e conquistas do povo acreano

O decano da Corte, desembargador Samoel Evangelista, representou o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) na cerimônia em comemoração aos 64 anos de emancipação política do estado. A solenidade ocorreu na tarde desta segunda-feira, 15, no Calçadão da Gameleira, em Rio Branco, e reuniu autoridades civis e militares, além de representantes de diversas instituições e da sociedade civil.

Em seu discurso, o desembargador Samoel Evangelista ressaltou o simbolismo da data, que marca a assinatura da Lei nº 4.070, de 15 de junho de 1962, responsável por elevar o então território federal à condição de Estado. Segundo ele, o momento permite recordar e reconhecer os esforços do povo acreano para assumir sua devida posição dentro da estrutura política do Brasil, com os mesmos direitos e deveres das demais unidades da Federação.

“Há datas que não marcam apenas o calendário, marcam a alma de um povo. Este dia é uma dessas datas sagradas. Hoje celebramos não apenas anos transcorridos. Celebramos uma conquista arrancada com suor, sangue e bravura. Celebremos o momento em que este chão verde e fértil, banhado pelas águas dos rios Juruá e Purus, deixou de ser apenas território e se tornou, com toda a força que essa palavra carrega, um Estado”, afirmou.

O decano também destacou as características desta terra e deste povo, marcados pela determinação e pela coragem para enfrentar as adversidades. “O Acre não foi dado, foi ganho. Nossos antepassados — seringueiros, ribeirinhos, índios e imigrantes nordestinos — não esperaram que o mundo se lembrasse deles. Eles ergueram a própria bandeira, travaram a sua própria revolução e, quando finalmente o Brasil voltou os olhos para esse recanto da Amazônia, encontrou um povo que já havia decidido: aqui somos livres, aqui somos um”, declarou.

Por fim, ele falou da importância da cerimônia: “Hoje, nossa celebração não é apenas de saudade, mas de propósito. Que, ao entoarmos nosso hino e vermos nossa bandeira ao vento, renovemos o compromisso com esta terra que nos acolheu, nos criou e nos desafia todos os dias a sermos melhores. Viva o povo acreano”.

A governadora Mailza Assis lembrou que cada acreano carrega consigo uma história, uma luta e um sonho e que, apesar das diferenças, existe um sentimento comum que une a população. Ela destacou os avanços obtidos pelo estado, especialmente na economia e na geração de empregos, e reconheceu que ainda há inúmeros desafios a serem enfrentados. “Tenho fé e convicção de que estamos construindo um Acre cada vez mais forte, mais desenvolvido e mais humano”, concluiu.

Durante a cerimônia, houve a troca da bandeira, a execução dos hinos estadual e nacional, o sobrevoo de um helicóptero com a bandeira do Acre e a entrega da Ordem da Estrela do Acre, maior honraria concedida pelo Estado a personalidades pelos relevantes serviços prestados ao povo e às instituições acreanas.

Entre os homenageados estavam o procurador-geral de Justiça, Oswaldo D’Albuquerque; a ex-governadora Iolanda Fleming; a presidente do Tribunal de Contas, Dulcinéia Benício; e os pastores Michel Jean Creiglow e Luiz Gonzaga. Também receberam a honraria Alzenir Pereira da Silva e Raquel Sales Feitosa (in memoriam), vítimas do ataque ocorrido no Instituto São José.

Fotos: Clemerson Ribeiro/Secom AC

William Azevedo* com informações da Agência de Notícias do Acre | Comunicação TJAC