Projeto Pedalando Novos Tempos inicia quinta turma e leva profissionalização a jovens socioeducandos na capital do Acre

Há três anos sendo desenvolvido, o projeto iniciou a quinta turma ofertando a 13 jovens socieoducandos a oportunidade de profissionalização com o curso de Mecânica de Bicicletas 

Nesta quinta-feira, 25, mais uma turma, com 13 jovens internados no Centro Socioeducativo Aquiry, em Rio Branco, iniciaram o curso de Mecânica de Bicicletas do projeto Pedalando Novos Tempos. A ação educativa encabeçada pela Coordenadoria da Infância e Juventude (Coinj) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) iniciou em 2023 e até o momento cinco turmas foram atendidas, com formação que representa conhecimento e oportunidade de mudança de rumo na vida. 

A mãe de um dos jovens selecionados para receber a formação, Maria Jane, 59 anos, estava sorridente e agradecida com a chance que o filho receberia. “Isso aqui é importantíssimo, porque é para ter uma nova oportunidade, né? Eu acho muito bacana mesmo, estudar é o caminho certo”, disse a Maria. 

Para marcar o começo da atividade educativa que terá 40h/aula e será ministrada duas vezes por semana, foi realizada uma cerimônia com a participação da juíza de Direito Luana Campos, representando a desembargadora Regina Ferrari, coordenadora da Coinj. Mas, estavam presentes o presidente do Instituto Socioeducativo do Acre (ISE), coronel Mário César Freitas, e o representante do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Osvaldo Pimentel. Essas duas instituições, ISE e Senai, são parceiras no projeto. 

A desembargadora Regina Ferrari, que está em exercício na Presidência do TJAC, nesta quinta-feira, ressaltou que o projeto Pedalando Novos Tempos, demonstra o compromisso da Justiça com a transformação social, “Mais do que um projeto, simboliza a construção de uma nova rotina, novos horizontes, novos tempos e também nossa fé nos adolescentes”, destacou Ferrari. 

Também compareceram ao momento a presidente da Associação dos Magistrados do Acre (Asmac), a juíza de Direito Olívia Ribeiro, e integrantes da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), assim como, servidoras e servidores do ISE, e familiares dos jovens. 

A juíza de Direito Luana Campos ressaltou que o Judiciário acreano desenvolve ações de ressocialização e educação, para efetivar a promoção de justiça e cidadania. “O Poder Judiciário faz  outra parte, não pensa só em punição. O Tribunal de Justiça do Acre busca essas parcerias para promovermos ações de ressocialização, reeducação, para que a pessoa que ficou um tempo distante da sociedade, retorne para o meio social, com oportunidade de ter seu sustento, auxiliar a família e se desenvolver”, comentou Campos.

As bicicletas utilizadas no projeto são frutos de apreensões judiciárias e são destinadas a ação profissionalizante. O Senai entra com o instrutor e os jovens socioeducandos são selecionados pelo ISE, seguindo critérios internos de comportamento e desempenho. Em 2024, o projeto ganhou o Prêmio Prioridade Absoluta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). 

“ISE deve ser escola de cidadania”

O presidente do ISE, coronel Mário César Freitas afirmou que a vocação dos Centros Socioeducativos é serem escolas de cidadania, para os jovens em conflito com a lei. O gestor público discorreu sobre a importância e a necessidade da realização de atividades profissionalizantes, educativas e culturais e ressaltou o papel do Judiciário no apoio a concretização dessa política de ressocialização e resgate social.

“O Poder Judiciário aqui no nosso estado faz um trabalho social muito importante, porque além de fazer justiça com a sentença, também faz um trabalho social muito grande, e estamos recebendo apoio do Poder Judiciário em todas as nossas unidades. É muito importante que esses adolescentes passem um dia fazendo atividades, um expediente na educação formal e o outro turno fazendo cursos profissionalizantes, atividades físicas, esportes e música. O ISE deve ser uma escola de cidadania. Aqui é diferente do Sistema Penitenciário, mas é talvez a última oportunidade desses jovens repensarem e mudarem o rumo da vida deles, isso é muito importante para eles e para os familiares deles”, alertou Mário César. 

Fotos Gleilson Miranda Secom/TJAC

Emanuelly Silva Falqueto | Comunicação TJAC