Esjud traz reflexão e debate com evento sobre Linguagem e Racismo Institucional

Ação visa fomentar a reflexão crítica e promover a adoção de uma postura ativamente antirracista no ambiente de trabalho

Desenvolver uma cultura organizacional mais inclusiva, diversa e comprometida com os direitos humanos. Com essa visão, a Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud) realizou nesta quinta-feira, 11, a palestra “Linguagem e Racismo Institucional”. A ação educacional também dialogou com as diretrizes e metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o fortalecimento da equidade racial na Justiça.

A atividade foi realizada em modalidade híbrida, com transmissão para as comarcas do interior, que foram conectadas pelo conhecimento. Houve as presenças de diversas autoridades, dentre as quais o presidente do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), desembargador Laudivon Nogueira, e a defensora pública Juliana Caobianco, que coordena a Escola Superior da Defensoria Pública do Estado.

 

 

Importância

A iniciativa é fruto da parceria da Esjud com a Secretaria de Governança e Gestão Estratégica (Segov) do Tribunal, e integra as ações desenvolvidas para uma cultura organizacional mais inclusiva, diversa e comprometida com os direitos humanos.

O objetivo da agenda foi sensibilizar e debater o impacto das estruturas linguísticas na perpetuação do racismo institucional. A ação também fomentou a reflexão crítica. A proposta é que cada vez mais se adote uma postura ativamente antirracista no ambiente de trabalho, incentivando-se a escuta ativa. Além disso, a capacitação complementa pedagogicamente a recém-lançada campanha “Equidade Racial é Direito”, do TJAC.

“Temos de romper os muros, inclusive o da discriminação racial e do preconceito em qualquer aspecto, pois o nosso objetivo maior é a pacificação social, a garantia dos direitos fundamentais, e a efetivação dos direitos humanos. Por isso, esta agenda é tão relevante, como Tribunal temos de dar o exemplo à sociedade”, assinalou o desembargador-presidente Laudivon Nogueira sobre a necessidade da iniciativa.

Chefe da Divisão de Inclusão, Acessibilidade e Sustentabilidade da Secretaria de Governança e Gestão Estratégica (Segov), Elaine Cristina falou sobre avanços alcançados pelo setor, sobretudo na perspectiva de um trabalho mais acolhedor e integrado com outros setores do Tribunal.

 

 

Palestra

A agenda “Linguagem e Racismo Institucional” foi conduzida por Evandro Teixeira, servidor do Tribunal de Constas do Estado do Acre (TCE-AC).

O facilitador iniciou a palestra explicando a tríade estrutural (raça, gênero e classe). E ressaltou como as linguagens e os discursos moldam realidades, sustentam desigualdades e impulsionam os processos de transformação societal.

Descortinou os fatos históricos relacionados ao racismo, a partir de 1840, e de que maneira teorias pseudocientíficas (de Morton, Galton e Lombroso, por exemplo) tentaram justificar as hierarquias raciais. Até chegar ao context atual, marcado por profundas desigualdades e acentuado contraste urbano. Nesse sentido, as estruturas discursivas de poder provocam exclusão e segregação racial.

 

 

Doutor em Letras: Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre, Evandro salientou que as instituições públicas reproduzem estruturas racistas e discriminatórias por meio de suas práticas cotidianas.

“O racismo institucional se manifesta em processos seletivos, barreiras invisíveis que impedem o acesso de pessoas negras a posições de poder”, disse ele.

O professor citou uma série de expressões do dia a dia que camuflam o os estereótipos de intolerância, como “denegrir” (tornar negro, tornar ruim), “lista negra” (uso colonial de cores), e “fala que nem gente” (termo que desumaniza pessoas negras).

“Toda palavra-ação carrega história, ideologia, intencionalidade e relações de poder. A transformação começa pela consciência do que dizemos e como dizemos – interseccionar”, finalizou.

Após a palestra, houve a entrega de uma lembrança ao formador (realizado pela servidora Elaine Cristina), e outra que fora sorteada entre os presentes.

 

 

Fotos: Elisson Magalhães/Secom TJAC

Marcos Alexandre/Esjud | Comunicação TJAC