Projeto Cidadania e Justiça na Escola: crianças realizam Júri Simulado no Fórum Barão do Rio Branco

Crianças da 5ª série da Escola Municipal Anice Dib Jatene foram as verdadeiras protagonistas da Justiça em uma atividade realizada nesta terça-feira (29) no Fórum Barão do Rio Branco.

Elas realizaram um Júri Simulado, diante de desembargadores, juízes, advogados, colegas de turma e familiares – todos atentos ao desempenho que dali a pouco iriam elogiar.

Ao ocuparem as posições destinadas aos que as exercem no dia-a-dia da Vara do Tribunal do Júri, os alunos estabeleceram um liame entre a teoria e a prática; entre o que aprenderam nas últimas semanas sobre direitos, deveres e cidadania e o sentido que emerge da realidade.

Os futuros cidadãos tiveram as orientações da juíza Zenair Bueno, que os conduziu nos ensaios e preparação para a atividade. Assim, as crianças seguiram toda a sequência do Júri, desde o sorteio dos jurados, oitiva das rés e testemunhas e, claro, o veredicto.

A sentença

Coube ao aluno Ian Brito, de 10 anos, interpretar o juiz no Júri Simulado, algo que ele não considerou ser o mais relevante. “Apesar de eu ter sido o juiz aqui, não acho que fiz o papel central, todos colaboraram, todos são importantes, ninguém deve se achar melhor do que os outros. Esse Júri significa mais cidadania para o futuro, daqui podem sair novos jurados, novos promotores, novos juízes, secretários, por isso que eu gostei bastante. Graças a Deus, deu tudo certo”, disse.

Após a manifestação dos jurados, foi ele quem proferiu a seguinte sentença. “Como os jurados entenderam que as rés agiram propositadamente ao agredir a aluna Lívia, o conselho de sentença resolveu condenar as rés Milena e Julia. Assim, condeno as acusadas à pena de prestação de serviços comunitários, a fim de que lavem as paredes de escola e pintem as pichações do muro e, ainda, confisco as suas mesadas para pagamento das despesas médicas da vítima. Declaro encerrado o julgamento”.

A importância da iniciativa

O desembargador-presidente Roberto Barros revelou o sentimento de fazer parte deste projeto institucional. “Eu estou realmente maravilhado com todos os alunos que estão participando e também assistindo a esse evento. Meu agradecimento a todos os juízes, a todos os entusiastas que têm nos permitido essa experiência tão enriquecedora que é o contato direto com esses alunos. Eu queria dizer que o Tribunal apoia esse projeto com muita satisfação, junto com a AMB, a ASMAC. Quero agradecer ao empenho de todos, em especial, à doutora Zenair, por todo o empenho demonstrado nessa magnífica sessão do júri que foi apresentada para vocês. Espero que desperte em vocês a consciência de que vocês mesmos têm muitas soluções importantes e que é preciso começar ainda na escola a desenvolver essa participação na sociedade”, destacou.

A vice-presidente do TJAC, desembargadora Cezarinete Angelim, sinalizou qual deve ser a missão principal da instituição. “O Tribunal não pode se limitar a questões processuais. Ele possui uma responsabilidade social e uma função primordial que é educar. Me sinto muito emocionada, muito feliz por ver o Tribunal participando de uma forma tão direta, antecipando-se aos crimes, ensinando, educando e, com certeza, alimentando no coração de cada um de vocês não apenas a ideia de que nós temos direitos, mas também de que nós temos deveres”, ressaltou.

Ao enaltecer a iniciativa do Tribunal e cumprimentar os pequenos, o desembargador Roberto Portugal Bacellar, do Tribunal de Justiça do Paraná, destacou o caráter didático do projeto. “Criança que brinca de fazer justiça, aprende que a Justiça não é brincadeira”, disse ele ao discorrer sobre o início do Cidadania e Justiça na Escola, que ele mesmo criou em 1992 com o nome “Justiça e Cidadania Também se Aprendem na Escola”.

O aluno Kelvin França Lins também compartilha dessa opinião. “Foi legal, foi importante porque tem muitas coisas que a gente pensa que são brincadeira, mas não são. Hoje, nesse júri simulado, nós aprendemos muitas coisas legais, até mesmo para o nosso futuro e não estamos de brincadeira”, afirmou o garoto.

O secretário municipal de Educação, Márcio Batista, se disse impressionado com o que viu. “Em meus 42 anos de vida, nunca vi nada assim. Só tenho mesmo que parabenizar o Tribunal de Justiça, que tem todo o mérito nessa grande iniciativa. É algo que precisamos colocar no calendário da prefeitura de Rio Branco”, considerou.

O desembargador Francisco Djalma, diretor da Escola do Poder Judiciário (Esjud), que executa o projeto no Judiciário Acreano; a desembargadora Regina Ferrari, coordenadora; além de juízes e outras autoridades também prestigiaram o evento.

 

 

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Fonte: Atualizado em 22/06/2015