Casamento Coletivo no Jordão encerra agenda do Projeto Cidadão na atual gestão

Iniciativa é coordenada pela Presidência do TJAC, facilita o acesso à cidadania e a obtenção da documentação regularização do estado civil.

A população da longínqua cidade de Jordão, na fronteira com o Peru, estimada em pouco mais de sete mil habitantes, se reuniu na sexta-feira (20), não apenas para receber a visita de um chefe do Poder Judiciário Acreano, mas também para celebrar o amor, simbolizado na união coletiva de 13 casais. Foi o último casamento coletivo realizado por meio do Projeto Cidadão na atual gestão, totalizando onze edições em dois anos, que resultaram em milhares de regularizações civis de casais que não tinham como arcar com as despesas cartoriais necessárias a regularização.

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O local escolhido para a cerimônia foi o Centro de Florestania do município, cuja arquitetura erguida em madeira, ressalta as riquezas naturais da região. Bastante ambientadas com o local, crianças indígenas e não indígenas circulavam exibindo trajes especiais para comemorar a união civil de seus pais, em sua maioria, já unidos de fato há muitos anos.

O Antônio Sabino e a Francisca Mila, da etnia kaxinawá, por exemplo, vivem juntos há mais de três décadas. Da união resultaram sete filhos e já começam a surgir os primeiros netos, como a pequena que dormia no colo da avó durante a cerimônia. Ele, com 59 anos e ela, com 53 anos, formam o casal mais velho da edição do Casamento Coletivo. Tímidos, eles se restringiram em balançar a cabeça em sinal positivo, quando perguntados se estavam felizes em oficializar a união,

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O Isaac Oliveira, 22 anos, e a Raquel Nascimento, 19 anos, formam o casal mais jovem do evento. Eles estão juntos há dois anos e aguardavam a oportunidade de regularizar a situação civil para só então pensar em ter filhos. “Essa oportunidade que a Justiça está nos dando é muito importante, agora a gente vai poder constituir a nossa família nos conforme da lei”, declarou o noivo.

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Além da desembargadora-presidente Cezarinete Angelim, a solenidade teve as presenças da Juíza-Auxiliar, Mirla Regina; o Juiz de Direito, Marlon Machado; o Defensor Público Geral, Fernando Morais; o Promotor de Justiça, Fernando Terra; o prefeito Édson Farias; o representante da Polícia Militar, Raimundo Fortunato; o representante da Polícia Civil, Edson Santos; diretores, assessores, gerentes, serventuários da Justiça; e familiares dos noivos.

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A presidente do TJAC proferiu uma mensagem de esperança ao público presente, lembrando que a semente plantada e regada com amor gera bons frutos, e foi isso que procurou fazer durante a sua gestão, semear o amor, por meio das muitas ações sociais desencadeadas, como importante. “É a consolidação das famílias, não somente do ponto de vista dos direitos civis, mas dos laços de afeto, carinho, união e, sobretudo, de amor”, explicou.

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Nesse sentido, ao retomar o Projeto cidadão, a gestão devolveu à população o direito à cidadania e dignidade, por meio da humanização e responsabilidade social – diretrizes colocadas em prática desde o início.

“Apesar de viver no meio da selva e das muitas adversidades que enfrenta, o povo de Jordão, é um povo feliz, que tem os mesmos desejos e os mesmos anseios de outras populações. Essa solenidade de casamento coletivo era muito esperada e com certeza ficará em nossas memórias para sempre”, disse o prefeito Élson Farias.

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A cerimônia

Conduzida pelo juiz de Direito Marlon Machado, a cerimônia civil teve a aceitação pública do matrimônio, seguida do beijo que sela o sentimento entre os amados. Os casais mais velho e mais jovem tiveram assentos especiais, à frente do dispositivo de honra, e foram os primeiros a oficializar a união.

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Em seguida, o juiz celebrante se dirigiu aos casais que lotavam o auditório para os votos matrimoniais, ocasião em que os nubentes responderam com um coletivo “SIM”, aceitando publicamente a união voluntária de um homem e de uma mulher, nas condições sancionadas pelo direito, de maneira a se estabelecer a legitimidade familiar.

Depois, o juiz Marlon Machado, aconselhou os casais, fazendo menção ao pai que exercia a profissão de relojoeiro, convidando aos presentes a uma reflexão, acerca do ato de consertar, que segundo ele, está em desuso nos dias atuais.

“Nos dias de hoje ninguém quer consertar mais nada, quebrou joga fora, ou coloca outro no lugar, assim também tem sido nos casamentos”, pontuou o juiz celebrante, chamado a atenção dos casais sobre as dificuldades que surgem durante uma união, os defeitos que passam a ser conhecidos e que devem ser tratados pelo casal.

O magistrado concluiu fazendo a leitura de uma passagem bíblica, registrada no livro de Gênesis, no Velho Testamento, que retrata, na versão cristã, a criação da mulher a partir de uma costela retirada do homem.

Ao final os noivos foram convidados a ouvir os louvores Yeshua e Ave Maria.

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Fonte: Atualizado em 23/01/2017