Atividade do TJAC premia estudante de melhor redação com temática sobre violência doméstica e familiar

Evento ocorreu na Escola Alcimar Nunes Leitão e encerrou as atividades do Programa e Conscientização pela Paz em Casa.

Foram encerradas na segunda-feira, 2, as atividades nas escolas relativas ao Programa de Conscientização pela Paz em Casa, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Acre (TJAC), através da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar. O evento ocorreu na Escola Alcimar Nunes Leitão.

A atividade contou com palestras em várias unidades escolares durante o ano abordando o combate à violência doméstica e ao uso de drogas. Os participantes foram desafiados a elaborar uma redação sobre os assuntos e hoje, o vencedor foi anunciado e premiado com um tablet, oferecido pela Associação dos Magistrados do Acre (Asmac), um colar de homenagem e um certificado.

José Leonardo Gomes de Lima, estudante do 2º ano A do ensino médio, da Escola Alcimar Nunes Leitão, foi o premiado com a redação “Um olhar sobre a violência doméstica a que são submetidas as mulheres”. No texto, ele retrata sobre os danos físicos, morais e psicológicos, que passam as vítimas.

Além do principal vencedor, todas as escolas, da qual a atividade do TJAC foi executada, receberam certificados, bem como os alunos dessas respectivas escolas, que tiveram as melhores redações, e ainda os juízes, promotores, advogados e outros membros que integram a Rede de Proteção à Mulher.

Participaram ainda da solenidade de encerramento, integrantes da Rede de Proteção à Mulher, que ajudaram na execução das palestras em algumas das unidades escolares.

Na ocasião, a desembargadora Eva Evangelista, coordenadora Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar, agradeceu aos parceiros e falou da importância das ações educativas aos jovens.

“O mundo precisa dos jovens para semear a paz. Os jovens são o futuro. Essa redação foi maravilhosa e bem esclarecedora sobre a violência contra à mulher. Agradeço a todos que se empenharam nessas ações nas escolas plantando sementes de paz e amor”, disse.

A desembargadora Regina Ferrari, coordenadora da Infância e da Juventude, que também possui ações nas escolas, em seu pronunciamento, enfatizou sobre a necessidade do respeito, do combate às drogas e da importância de exercitar a reflexão sobre os assuntos abordados.

Já a coordenadora de Políticas de Mulheres e presidente da Comissão das Mulheres da OAB/Acre, Isnailda Gondim, salientou sobre os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

Na solenidade foram expostos os desenhos e poesias produzidos pelos alunos, além de apresentação musical.

Veja a redação de José Leonardo Gomes de Lima

Um olhar sobre a violência doméstica a que são submetidas as mulheres

A violência contra a mulher, consoante a Convenção de Belém do Pará, é definida como qualquer ato ou conduta baseada no gênero que cause danos físicos, morais e psicológicos, podendo, inclusive, levar à morte. No cenário brasileiro, o número de óbitos de mulheres tem se tornado crescente na atualidade, principalmente no ambiente familiar. Assim sendo, por qual motivo ocorre?

O jornal espanhol El País afirma que o Brasil, no que se refere aos crimes contra a mulher, é um dos países mais perigosos para elas. No contexto doméstico, essa violência atinge 2 milhões de mulheres no país a cada ano. Ademais, o gênero feminino sofre com a cultura machista, nas mais variadas discussões, em que a diferença salarial e a submissão da esposa ao marido se sobressaem. Sob esse aspecto, convém mencionar que os homens, muitas vezes provedores financeiros da relação, acreditam que a mulher não tem direito à autoestima, tampouco à liberdade de se manifestar, segundo matéria da Revista Claudia.

Paralelo a isso, de acordo com dados da pesquisa “Percepções sobre a violência doméstica contra a mulher” feita pelo Instituto Avon, apenas 63% das mulheres denunciam a agressão. Consequentemente o medo da morte revela um bloqueio destas em relação à denúncia de seus agressores. Todavia as mulheres, dependentes de seus cônjuges em várias circunstâncias, não estão inseridas no mercado de trabalho e não possuem formação acadêmica e profissional, em função da dedicação exclusiva ao parceiro matrimonial e aos afazeres domésticos. Logo, além do receio de comunicar as autoridades competentes sobre os maus-tratos sofridos, as vítimas não estão preparadas para uma nova experiência de vida, posto que traumas emocionais e psíquicos as impedem.

Em síntese, é indubitável, a respeito dos fatos abordados, a tomada de medidas necessárias. Desta feita, os Ministérios da Educação e Mulher, Família e Direitos Humanos devem, por meio das mídias digitais, tornar o debate da proteção à mulher mais evidente, estimulando a denúncia e o apoio psicológico para as vítimas. Além disso, cabe à Justiça Brasileira fiscalizar o cumprimento da Lei Maria da Penha, a fim de que esta não fique somente restrita à teoria, de modo a garantir amparo às brasileiras. Assim, o Brasil, depois de aflito, poderá recorrer a um plano mais humano e digno para as mulheres que o habitam.

 

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Fonte: Atualizado em 03/12/2019