Acusado de assassinato do motorista Baiano está sendo julgado no Tribunal do Júr

RIO BRANCO, AC – O dentista Sete Pascoal está sendo julgado nesta quinta-feira no processo em que é acusado de envolvimento direto na execução do mecânico Agilson Firmino dos Santos, o Baiano, no começo de julho de 1996, em Rio Branco. Baiano foi morto com requinte de crueldade após sofrer tortura em cativeiro patrocinado, segundo o Ministério Público, pelo ex-deputado Hidebrando Pascoal e pelo então vereador Alípio Ferreira, em um galpão da rua Isaura Parente. De acordo com a denúncia do MPE, após o cativeiro, Baiano teve os membros amputados com uma serra elétrica, os olhos vazados com um objeto perfurante e um prego introduzido na testa. Seus testículos foram arrancados e introduzidos no ânus. Baiano era motorista de José Hugo Alves, o Mordido, que fora contratado pelo traficante Gerson Turino dos Santos para livrá-lo da cadeia através de um deputado estadual não identificado no processo. Turino pagou, à época, R$ 20 mil para Hugo, que teria usado o dinheiro na compra de um Gol mas não cumpriu o acordo. Ana Claudia, a mulher de Turino, fez com contato com o tenente da Polícia Militar Itamar Pascoal para que fosse tirar satisfação com Hugo. No dia 30 de junho, já fora da Penal, Turino e Itamar se encontraram com Hugo nas redondezas do Posto Paraty. Itamar deu um tapa no rosto de Hugo, que revidou disparando arma de fogo. Os tiros mataram Itamar, que era irmão do então deputado Hildebrando Pascoal, coronel reformado da Polícia Militar do Acre e primo do então comandante da PM, coronel Aureliano Pascoal. Segundo a denúncia do MP, a família Pascoal empreendeu grande caçada a José Hugo e realizou várias operações, algumas ilegais, com prisões e torturas e assassinatos, inclusive de menores, na tentativa de encontrar Hugo, mais tarde localizado no Estado do Piauí, onde foi morto. Numa dessas operações, os PMs , segundo MPE, acompanhados de pistoleiros e comandados pela família Pascoal prenderam Baiano e deram início ao martírio que terminou com sua execução e deposição do corpo em uma mata nas proximidades da TV Gazeta. Sete Pascoal é o primeiro dos seis acusados pelo crime a sentar no banco dos réus. “Não tenho participação nesse crime”, afirmou o dentista ao juiz Elcio Sabo Mendes Júnior e aos três promotores que o acusam de participação ativa em todos os momentos do flagelo de Baiano. O clima é de tensão no julgamento, muito bate-boca entre defensores e promotores. Fonte: Edmilson Ferreira (site www.noticiasdahora.com)

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Fonte: Publicado em 03/11/2005